Réquiens e Matinas
As orquestras bicentenárias Lira Sanjoanense e Ribeiro Bastos seguem em seu ano musical, do mesmo modo que suas irmãs, Lira Ceciliana, de Prados, e Ramalho, de Tiradentes, quando teremos quase meio milhar de oportunidades de ouvi-las em cerimônias que se repetem há séculos.
A edição 17 do Anuário Musical anota, para o público interessado, os dias, as horas e os locais das missas, das novenas, dos tríduos, quinquenas e procissões que colocam, nas ruas e praças, o encantamento dos coros a capelas e das bandas de música.
Essa é a programação fixa de música sacra, que se repete ano a ano. Além de outras oportunidades eventuais de apreciar, temos a movimentação da Sinfônica, das bandas, do Conservatório Estadual de Música, do curso de Música da UFSJ, do Inverno Cultural e do Festival de Música de Prados, podendo-se dizer que nessa região não há hora nem segundo sem que ecoem as mais belas melodias.
Boa Música.
Todos os anos, no primeiro dia de janeiro, tudo recomeça, prossegue a música, com a novena de S. Sebastião, e depois vem a Quaresma, a Semana Santa, as novenas, as quinquenas e os tríduos, num encadeamento que perpassa séculos, como um tempo só, de infinitos e intermináveis sons, entoados num fôlego que não se esvai, sopro cheio de melodias emanadas do coração dos artistas e dos regentes.
Novembro é marcado por homenagens especiais aos músicos e aos sacerdotes falecidos, levando as orquestras ao interior dos cemitérios, após a celebração das missas aniversárias, executando missas de réquiem e responsórios fúnebres. No cemitério do Rosário, reverenciam a memória do Padre José Maria Xavier (1819–1887), com a sua própria música. No cemitério de S. Francisco, o maestro Ribeiro Bastos é lembrado e, no das Mercês, o sempre saudoso maestro Pedro de Souza é o homenageado. No de S. Gonçalo, o Monsenhor Gustavo Ernesto Coelho recebe as homenagens.
O dia 22 de novembro, dedicado a Santa Cecília, padroeira dos músicos, ficará marcado como o dia em que o órgão da Matriz de Santo Antônio de Tiradentes, fabricado em Portugal em 1785, voltou a enriquecer ainda mais o repertório musical dos Campos das Vertentes.
Dezembro é quando as orquestras se debruçam no clima natalino, as matinas ocupam a aurora do dia 25, alegrando com seus ecos as abóbodas côncavas dos templos barrocos e marcam, com o Te Deum de encerramento, no dia 31, o termo de uma jornada que ultrapassa o meio milhar de execuções musicais.
Todos os eventos dessa programação são gratuitos.